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Professor da Fasi fala sobre Nitrato de Amônio: propriedades, estudo e consequências pós acidente no Líbano


No início do mês de agosto,  aconteceu explosão em um depósito que armazenava nitrato de amônio no porto de Beirute, no Líbano. O nitrato de amônio é um composto que pode ser usado como fertilizador, mas também na fabricação de explosivos. Se não estiver armazenado nas condições corretas, como parece ter sido o caso da capital libanesa, pode ser muito perigoso. 
O professor de química da Funorte, Heloi Araújo, explica o uso da substância e inclui informações sobre ela: “é utilizada principalmente como fertilizante nitrogenado em culturas de leguminosas pois trata-se de uma boa fonte de nitrogênio para esses vegetais. Misturado com TNT (trinitrotolueno) ou pantearitrina é usado nas construções, em minas e pedreiras existem outros usos em menor escala como combustível propulsor e na indústria aeroespacial, o nitrato de amônio é um sal inorgânico de fórmula NH4NO3 solúvel em água com temperatura de ebulição 148 graus Celcius.”
Heloi aponta a maneira mais correta de estocar este material: “O armazenamento mais correto deve ser feito em galpões limpos, secos e isolados de produtos incompatíveis, especialmente líquidos inflamáveis e corrosivos. Se armazenado corretamente é pouco provável que ocorram incidentes como ocorreu no Beirute capital do Líbano.”
Após a notícia da explosão se tornar manchete nos principais jornais do Brasil, abriu um leque para vários questionamentos, sobre os riscos e cuidados para utilização do produto. 
O professor responde a essa pergunta e agrega informações sobre o norte de Minas Gerais: “O Brasil em geral importa cerca de 1 milhão de toneladas de nitrato de amônio por ano, cerca de 3% do que o país utiliza de fertilizantes. Apesar do número parecer expressivo não é o fertilizante mais usado no Brasil. No norte de Minas especificamente ele é usado na produção de cana-de-açúcar, frutas e hortaliças. A revista Brasileira de engenharia agrícola e ambiental trouxe um artigo na base de dados da Scielo sobre adubação de bananeira prata anã com nitrato de amônio na região semiárida do norte de minas.
Porém, Heloi lembra que acidentes envolvendo o nitrato já ocorreram no país: “Em 2017 em Cubatão no interior de São Paulo ocorreu um incêndio em uma empresa após vazamento de nitrato de amônio em um dos tanques de armazenamento. Os bombeiros só conseguiram apagar as chamas após 15 horas de incêndio. É importante salientar que para utilizar este material deve se manter cautela, isto é, em quaisquer procedimento, como por exemplo a sua manipulação. Importante atender alguns critérios, dentre eles a prevenção contra umidade e empedramento, ou seja, armazenar em um local que possa evitar o contato do produto com umidade, não expor o produto diretamente a raios solares de modo a se evitar a fragmentação do mesmo. Derramamentos devem ser limpos o mais breve possível para se evitar contaminação", ressalta Heloi que conclui sobre a importância da validade do produto: “o correto é a utilização de forma just in time, ou seja, o produto entrar e sair para não ficar acumulado sem usar por muito tempo como aconteceu no Líbano, demarcar um prazo de validade do produto fica a critério da empresa fabricante.”

Publicada em: 31/08/2020
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