Delírio é um erro no ajuizar que acontece em paciente com transtorno mental. Nesses quadros, o paciente acredita fielmente no conteúdo delirante, não há dúvidas de sua veracidade, ainda que se apresentem provas de que a crença é falsa. Anne Raissa Brante, docente do curso de Psicologia da Fasi, relatou quais são os sintomas mais comuns. “O paciente começa a acreditar que as pessoas estão lhe perseguindo, ou que implantaram um chip nele capaz de acompanhar seus passos, ou que ele foi enviado por um ser divino para salvar a humanidade. O paciente diz isso e muda seu comportamento em função dessa crença, muitas vezes deixa de se alimentar porque acredita que a comida está envenenada; deixa de sair na rua porque acredita ser perseguido. Há uma mudança na vida do paciente em função do delírio”, explica a psicanalista.

Anne Raissa comentou que não tem como prevenir o delírio, mas que, com o tratamento adequado, o quadro pode regredir e o paciente pode voltar a sua vida normal. Segundo ela, o delírio, especificamente, não causa nenhuma sequela para o cérebro e que acontece em casos de transtornos mentais, mais frequentes em quadros de psicose.

Em relação ao tratamento, ela ressalta que, “é importante que o paciente em quadro delirante seja acompanhado por profissionais da saúde, e que seja cuidado para que encontre outras maneiras para lidar com seu sofrimento. Existem, também, no mercado medicações psicotrópicas eficazes para tratamento de quadros de delírio, porém, só podem ser utilizadas com prescrição médica, após uma avaliação cuidadosa”, explicou.

Ela frisou, ainda, a diferença de delirium e delirium tremens. “O delirium, diferente do delírio, é um quadro orgânico que afeta o funcionamento cerebral. Por isso, é importante identificar o que está causando o delirium. Dentre algumas causas de delirium temos: intoxicações, traumas físicos, doenças vasculares, hipóxia, hipoglicemia, hipertermia, deficiência de tiamina. Geralmente, quando se trata a causa, o delirium cessa. Já o delirium tremens é uma forma grave de síndrome causada pela abstinência ao álcool. Tanto no delirium quanto no delirium tremens podemos observar alguns sintomas mais comuns: rebaixamento do nível de consciência, alteração da atenção, confusão mental, desorientação, agitação ou lentificação psicomotora, ansiedade intensa”, destacou a psicóloga.

Segundo a docente, os sintomas mais comuns nos quadros de delirium tremes são intensificações das manifestações autonômicas. Por exemplo, tremores, febre, sudorese profusa, ilusões e alucinações visuais e táteis. O paciente relata estar vendo insetos ou animais voando no quarto, ou sente que tem muitos insetos subindo em seu corpo.

Anne Raissa, destaca como o paciente com esses sintomas deve procurar ajuda. “Nos casos de delirium ou delirium tremens é necessário que o paciente procure imediatamente o serviço de saúde para que seja avaliada a etiologia do delirium, pois temos aí um comprometimento orgânico importante que precisa ser tratado. Nessa avaliação o profissional de saúde dará o devido encaminhamento ao caso”, concluiu a psicóloga.

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